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Mensalão: esta
é sem dúvida uma das palavras mais citadas pela imprensa nacional nos
últimos meses, período em que foi superada apenas pelo termo CPI
(Comissão Parlamentar de Inquérito). A palavra mensalão, usada pelo
Ex-presidente do PTB, deputado Roberto Jefferson para se referir à
vergonhosa prática de compra de deputados federais, para que votassem
pela aprovação de projetos do governo, pode até ter surgido como uma
novidade, mas episódios anteriores às denúncias feitas por Jefferson já
mostravam que a prática não é uma exclusividade de membros do atual
Governo Federal, a quem não cabe, portanto, o direito de patenteá-la.
No mês de junho, o
Governador Ivo Cassol (PSDB) de Rondônia, divulgou, através da imprensa
nacional, trechos de gravações de áudio e vídeo, de conversas em que o
governador e deputados estaduais falavam de apoio ao governo do Estado
em troca de R$ 50 mil por mês, valor igual ao que, segundo Roberto
Jefferson, era pago pelo Governo Federal a deputados de sua base
aliada. Na versão do governador Ivo Cassol (PSDB), que responde
processo por supostas fraudes em licitações, a proposta teria partido
dos deputados que, por sua vez, negavam as acusações.
Em outro episódio
semelhante, foram divulgadas gravações que comprovavam a prática de
extorsão por parte de vereadores, que pressionavam o prefeito de um
município do interior do Rio de Janeiro, para que facilitasse uma série
de fraudes em processos de licitação que, segundo denúncia do prefeito,
teria entre os beneficiários um político do Norte do ES. Como podemos
observar, o mensalão ou o pedido dele não é nenhuma novidade, esses
casos foram denunciados, mas quantos prefeitos ou governadores não
cederam a esse tipo de chantagem por saberem que precisariam da maioria
dos deputados ou vereadores para aprovar projetos de seu interesse?
Nestes casos, o mensalão provavelmente já existisse só que recebia
outros nomes como caixinha e até mesmo ajuda de custo.
Mas não pensemos que
a compra de votos acontece longe de nossos municípios, às vezes o
mensalão é pago debaixo de nossos olhos. Você já observou que alguns
vereadores dão apoio incondicional à administração, independente de
quem seja o prefeito? Mesmo tendo sido ele oposição ferrenha em
períodos anteriores, ou que tenha feito muitas críticas durante a
campanha? Guardadas as exceções, os apoios não são tão incondicionais
assim. Denúncias existentes na política nacional mostram que o apoio
pode estar condicionado à contratação de parentes ou cabos eleitorais
do vereador ou deputado, ou à execução de determinada obra cujo projeto
seja de autoria do tal parlamentar que num futuro próximo poderá colher
os louros, ou por que não dizermos, os votos daqueles que se beneficiam
ou pensam ter sido beneficiados com tal obra. Uma outra condição para
votar como quer o executivo é a caixinha, agora popularmente conhecida
por mensalão que tem como fonte de recursos as fraudes licitatórias.
Parte desse mensalão
vai ser usada durante a campanha para comprar o voto dos “espetinhos”
que insistem em arriscar o futuro do Município e do país por uma cesta
básica, um caminhão de areia e até mesmo por uma cachaça. Como podemos
ver, em torno da política gira um grande jogo de interesses, e pedir ou
aceitar mensalão é a coisa mais comum do mundo para quem foi eleito com
voto comprado. Talvez o atual escândalo internacional, que pode trazer
grandes prejuízos à economia do nosso país, sirva para alertar a todos
que o político que um dia comprou o voto por uma cestinha básica vai
vendê-lo no futuro por um mensalão que pode ser de R$ 50 mil por mês.
Rentabilidade assim, nem na bolsa de valores. |
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