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Os fabricantes e vendedores de armas
foram os grandes vencedores do referendo realizado no último dia 23 de
outubro, quando os eleitores tiveram que votar se eram contra ou a
favor à proibição do comércio de armas de fogo e munições no Brasil. As
campanhas, exibidas durante 20 dias no rádio e na TV, realizadas pelas
Frentes do "Sim" e do "Não", mais confundiram a cabeça do eleitor do
que esclareceram. As respostas a dúvidas dos eleitores, eram dadas de
acordo com interesse de cada Frente, deixando sempre o interesse do
eleitor para depois. Um exemplo disso foi em relação à seguinte
pergunta: Com a vitória do "Sim", os moradores de áreas rurais, onde
não há policiamento, poderão possuir armas para a defesa de suas
famílias ou para a caça de subsistência? O "Sim" respondeu que os
moradores de áreas rurais já teriam o direito assegurado por lei. Por
outro lado a Frente do "Não" lembrava que eles não teriam como comprar
munição, uma vez que o comércio de armas e munições seria proibido.
Assim o eleitor interessado em votar com
sua consciência permanecia com sua cruel dúvida. Mas poderia haver uma
solução. Se fosse num campeonato de futebol, as regras, fossem elas
tradicionais ou adaptadas, seriam de responsabilidade do Comitê de
arbitragem da entidade organizadora. Da mesma forma, as regras do
referendo ou de qualquer eleição são de responsabilidade do (TSE)
Tribunal Superior Eleitoral. Mas o pior é que nem mesmo o TSE soube
responder tal pergunta, sob a alegação de que detalhes como esse,
poderiam ser discutidos após o referendo. Um absurdo total. Já
imaginaram se o Campeonato Brasileiro fosse iniciado para então depois
as regras serem discutidas? O campeão seria o que somou mais pontos
corridos ou haveria oitavas de final, quartas, semifinais e finais? A
essa altura Flamengo e Vasco estaria se perguntando: será que vão cair
quantos clubes para a segunda divisão? Estamos na zona de rebaixamento
ou não? Seria então uma tremenda bagunça com importantes decisões sendo
tomadas fora dos gramados. O mesmo aconteceria com o referendo. De que
valeria o povo votar pela proibição da comercialização sem saber quem
poderia ou não possuir armas após o referendo? Seria um verdadeiro
"tiro" no escuro.
Outra coisa que chamou a atenção foi a
incompetência do "Sim". Os programas exibidos por tal Frente foram tão
mal elaborados a ponto de se colocar em dúvida se o interesse pela
proibição era verdadeiro. Tal incompetência possibilitou uma
reviravolta na opinião popular. No mês de agosto, segundo o Instituto
Datafolha, 80% dos entrevistados apoiavam o voto "sim" (pela
proibição). Pesquisa do mesmo instituto, divulgada no dia anterior à
votação, mostrava 57% pelo voto "não" (contra a proibição) e 43% pelo
"sim". O resultado final foi de mais de 64% de votos pela não
proibição. Os números finais mostram como a divulgação de resultados de
uma pesquisa influencia nas decisões dos eleitores. Meu voto foi pelo
sim, por acreditar que quanto menor o número de armas em circulação,
menor o risco de uma atitude impensada que venha fazer uma vítima fatal
ou parcial, mas a vitória do "Não" mostrou que o povo brasileiro ainda
não acredita que os órgãos de segurança do país estejam preparados para
proteger a integridade do cidadão. |
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