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A crise política pela
qual o Brasil vem atravessando deixa cada vez menos esperançoso o
eleitor, que acredita que, em tempos de desarmamento, sua principal
arma contra a roubalheira, corrupção e qualquer tipo de interesse
escuso é o voto. Com tantos escândalos, o eleitor consciente se
pergunta se é possível ter esperança de que um político trabalhe
pensando no interesse do povo que o escolheu como seu representante.
Os últimos episódios
da política nacional têm mostrado alguns exemplos de como alguns
políticos se preocupam com o bem estar de seu povo: suas mulheres,
filhos, parentes, cabos eleitorais e colegas de partido. O maior
exemplo de político que verdadeiramente se preocupa com “seu povo” é,
sem dúvida o ex-presidente da câmara dos deputados, Severino
Cavalcante. Ele nunca escondeu seu interesse em empregarem seus
parentes em cargos públicos e ainda pensando nos seus, engordava a
renda familiar cobrando R$ 10 mil de propina por mês, com promessa de
garantir a renovação do contrato de um restaurante que funcionava nas
dependências da câmara, e o pior de tudo é que a garantia, dada ao
empresário, de nada servia. Até em situação adversa Severino não perdeu
a oportunidade de negociar. Para não perder seus direitos políticos,
Severino decidiu renunciar ao cargo. Como seu afastamento temporário
colocaria na presidência da câmara, o vice-presidente José Thomaz Nono,
do PFL-AL, partido de oposição ao governo Lula, Severino trocou com o
presidente Lula, a renúncia pela garantia de manutenção dos cargos de
seus apadrinhados no governo.
O governo, por sua
vez, negociou com os aliados o apoio a seu candidato à presidência da
Câmara. O novo presidente poderia ser aliado e ajudar o governo a
contornar a crise criada pelo mensalão, restaurando a governabilidade,
ou de oposição, o que dificultaria a aprovação de projetos do governo
e, por conseqüência, reduziria a possibilidade de reeleição do
presidente Lula. Era hora de negociar.
Sem poupar esforços,
o governo liberou verbas que somam pelo menos R$ 1,515 bilhão e ainda
prometeu mais cargos para os partidos atingidos pelo escândalo do
mensalão. Para garantir apoio a seu candidato, o Planalto prometeu
liberar R$ 680 milhões de um total de R$ 1 bilhão para o Ministério dos
Transportes, comandado por Alfredo Nascimento, do PL. O governo
prometeu ainda devolver ao PTB, os cargos nos segundo e terceiro
escalões que o partido perdeu depois das denúncias de corrupção no
governo, feitas pelo ex-deputado Roberto Jefferson. Desta forma o
governo garantiu a eleição de Aldo Rebelo, ex-ministro da Coordenação
Política como novo presidente da Câmara.
Como não lucrou em
nada durante a eleição do substituto de Severino, representantes da
oposição já avisaram que se o governo tentar junto a eles, qualquer
tipo de composição, terá que negociar de acordo com os interesses dos
partidos.
Esse tipo de
negociação é muito comum e é noticiada com a maior normalidade, mas a
política do toma lá dá cá é justa com o cidadão de bem que, cheio de
esperanças, escolhe seus candidatos? E você, já percebeu que em todos
os governos, sejam eles municipais, estaduais ou federais, os
servidores contratados são sempre dos partidos que compõem a base
aliada?
Se pararem para
observar, mesmo aqueles que dizem não suportar a política, mais cedo ou
mais tarde vão acabar se filiando a um partido para garantir
benefícios. Afinal, lembrando um velho dito popular: “Se a farinha é
pouca, meu pirão primeiro”.
Por: Josimar Silva |
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